Uma semana depois de ter sido expulsa do ‘Big Brother All Stars’, Daniela Santos publicou uma longa mensagem nas redes sociais onde faz o balanço da sua passagem pelo programa, defende a forma como jogou, critica o que diz ser premiado no formato e ainda deixou uma série de agradecimentos.
Desde que saiu do ‘Big Brother All Stars’, no passado domingo, Daniela Santos não tem estado calada. A ex-concorrente tem-se mantido muito ativa nas redes sociais e já deixou vários recadinhos à produção e aos fãs de Francisco Monteiro. Agora, o registo mudou: em vez da resposta rápida, publicou uma longa mensagem, onde faz o balanço da experiência e deixa uma defesa da forma como jogou.
A mensagem começa pelo que Daniela considera ser a verdadeira prova de um programa como este: a capacidade de lidar com agressões, sobretudo as que não se veem. E logo a seguir deixa claro que não se coloca num pedestal: “Sair de um programa de televisão que passa em horário nobre e – dizem – reúne os melhores dos melhores sem ter de responder a nada que se assemelhe a uma agressão, física, verbal e (sobretudo) psicológica não é para todos. E com isto não me considero a melhor, longe disso. Mas o comportamento, esse, não mo podem criticar.”
A ex-concorrente deixa claro que aceita as críticas ao que é, mas recusa os rótulos que lhe colaram dentro e fora da casa, e fala do seu percurso público para se defender: “Podem não gostar de mim – aceito. A vida inteira colecionei críticos. Sobretudo porque não me vendo a nada nem a ninguém. Mas não me chamem daquilo que nunca fui. Nunca fui galdéria, não há uma única imagem minha com um homem a ter algum tipo de intimidade e foram públicas apenas duas relações minhas até hoje.”
Na segunda parte do seu extenso desabafo, Daniela recorda os momentos de maior tensão e aponta ao que considera ter sido uma tentativa de a rebaixar, ao mesmo tempo que afirma que escolheu manter a sua identidade: “E nunca o fim delas. Não me chamem de mal educada, porque se há coisa que tive sempre foi educação, mesmo em momentos de tensão em que tudo o que sou, enquanto pessoa, profissional e até mãe, foi posto em causa, nunca faltei ao respeito a ninguém. Aliás chamem-me o que quiserem, lá dentro também o fizeram e o ser humano hoje em dia sente que pode tudo.”
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Sobre os rótulos que lhe foram atribuídos no jogo, a ex-concorrente refere o que lhe disseram e a maneira como lidou com isso: “Neste fui sugerida de planta, figurante e insignificante, talvez na esperança que baixasse o nível iludida que isso sim é ser uma all star. E mesmo quando me fizeram acreditar que o erro estava na diferença eu preferi ser diferente. Não melhor nem pior, apenas diferente.”
A seguir, Daniela alarga o foco ao que vê como uma tendência do formato: a recompensa de comportamentos agressivos, em detrimento de quem escolhe outra postura. Explica a sua escolha, mesmo que isso lhe tenha custado visibilidade: “Quando cada vez mais se premeia a gritaria, os insultos, a intimidação, o inferiorizar os outros para se elevarem, eu escolhi manter-me fiel ao que acredito contribuir para uma sociedade melhor. Mesmo que não resulte em ser chamada para tantos confessionários ou diretos. Talvez não mude o mundo, mas sou respeitada: isso chega-me. Não chegou para ir mais longe – num reality show – mas talvez me continue a ajudar a chegar mais longe na vida porque nunca procurei sucessos repentinos.”
A ex-concorrente enumera depois o que, na sua opinião, está invertido no jogo e no discurso à volta dele, num retrato duro do que considera ser valorizado: “Hoje em dia valoriza-se o medo dos ‘favoritos’, e não os tomates e a coragem de ir contra eles, os palavrões em vez de uma boa argumentação, as traições como se ser-se calculista e interesseiro fosse o maior exemplo a seguir. Criticam-se as mulheres livres que mandam piadas de sexo, mas elogia-se os homens machistas. Chorar é a cartada da vítima, sentir é sinal de fracasso.”
Sobre a sua própria postura, explica por que razão preferia, muitas vezes, afastar-se, e mantém que a última decisão sobre o que dá de si continuava a ser dela: “Dar canal tornou-se quase tudo o que mais repugno. E talvez por isso muitas vezes preferisse apanhar sol e estar isolada. Não que não saiba ‘aparecer’ mas porque a última decisão no que dou enquanto me deixam lá estar ainda é minha. E nunca gostei do caminho fácil ou de ir na maré.”
A mensagem avança com uma leitura mais ampla do programa, onde Daniela admite que a opinião é pessoal, mas deixa uma crítica clara aos critérios com que, na sua visão, os concorrentes são julgados: “Esta é só a minha opinião e pode nem ser partilhada por mais ninguém. Mas é a minha. Aplaude-se uma luta desmedida de egos quando é ele o maior inimigo do ser humano. Confunde-se bom jogador com boa pessoa. Premeia-se o egocentrismo em vez de se valorizar o olhar para o lado e abraçar a fragilidade, mesmo que seja um adversário. Julga-se os concorrentes como se de um tribunal se tratasse. Mas só alguns.”
E remata essa parte com uma ironia sobre quem é rotulado e quem escapa ao julgamento: “Os demasiado frontais são os broncos, os que fazem pela calada são os que saem bem na fotografia. Agora ser-se genuíno pode ser a morte do artista. Mas se forem espertos dizem que foi jogo e está tudo bem.”
Chegada ao fim, Daniela muda de tom e fala da pena de não continuar na casa, admitindo que há coisas que não pode contar por causa do contrato que assinou: “Se tenho pena de não estar lá ainda? Sem dúvida que sim. Se me apetece contar-vos tudo? Não posso. Quando assinamos contratos temos a consciência, ou pelo menos eu tenho, do que isso implica.”
E deixa uma nota de gratidão pelo que viveu e pela forma como encara o fim da experiência: “E não deixo de ser grata pelas experiências que vivi nestes 2 anos. Cresci muito e permitiram-me chegar a tantos de vocês. Então faço como nas minhas relações interpessoais: mesmo quando acabam respeito-as. E agradeço.”
Os agradecimentos finais vão para a estação, a produtora e, sobretudo, para os seguidores: “Obrigada tvi, Endemol e acima de tudo a vocês, por me aceitarem e gostarem de mim mesmo conhecendo os meus (tantos) defeitos. No fundo eu sempre só quis amor, e que me vissem com o coração.”
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