Catarina Miranda voltou a focar a sua crónica do Big Brother Verão na polémica de Nuno e Raquel. A jovem de Almeirim voltou a recorrer à ironia fazendo uma analogia à polémica dos dois concorrentes com o ‘Auto da Barca do Inferno’.
Catarina Miranda voltou à sua rubrica na TV7 Dias e, desta vez, recorreu a uma referência literária pouco habitual para analisar a atualidade do Big Brother Verão. Sob o título “O Auto da Barca do ‘Não'”, a jovem de Almeirim imagina como seria o clássico Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, se fosse escrito em pleno 2026 e não tem dúvidas de que Raquel teria “personagem garantida”.
Segundo a autora, a concorrente seria “a concorrente que chegava ao cais convencida de que um ‘não’ significa apenas ‘insiste mais um bocadinho'”. Recorrendo ao imaginário da peça original, Miranda constrói um diálogo fictício entre o Diabo e a personagem inspirada em Raquel: “O Diabo olhava para ela e perguntava: ‘Então, que bagagem trazes?’. E ela respondia, muito segura: ‘Trago esperança’. O Diabo franzia o sobrolho. ‘Esperança?’ ‘Sim. Ele já disse umas cinquenta vezes que não quer nada comigo, que não sente química, que gostava de se apaixonar… mas não por mim. Acho que ainda tenho margem para negociar'”.
A ironia da cronista estende-se ainda a Nuno, a quem atribui a personagem que tenta, sem sucesso, encontrar novas formas de dizer a mesma coisa: “Ele já experimentou todas as formas possíveis de dizer a mesma coisa. Não quer. Não sente. Não há química. Já só falta a Voz interromper a emissão para anunciar: ‘Atenção, concorrentes. Confirmamos que continua a não haver química’. Mas nem assim.”
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Miranda recorre depois à imagem da tragédia grega para descrever a fase seguinte desta narrativa “as lágrimas, os discursos, o sofrimento” , antes de introduzir um novo elemento na sua análise: uma comparação com Daniela Bailareca, recordando “uma narrativa paralela, um príncipe para salvar, uma história de amor que só uma pessoa parecia estar a viver”, ironizando que “a televisão portuguesa descobriu que os remakes vendem”, embora este, na sua opinião, tenha vindo “com mais episódios, mais lágrimas e menos argumento”.
A crónica termina com aquilo que a autora considera ser “o maior milagre da edição”: o facto de Raquel continuar a ser salva pelo público, apesar de tudo. Recorrendo de novo à imagem da peça de Gil Vicente, Miranda brinca com a possibilidade de um “erro administrativo entre a Barca da Glória e a do Inferno”, ou talvez, sugere, os telespectadores “decidirem que, antes de a peça acabar, ainda queriam mais um ato de comédia”.
Para encerrar, Miranda recupera a moral do clássico vicentino, aplicando-a à sua leitura sobre a concorrente: “cada personagem embarca na barca que merece pelas escolhas que faz. E quem passa a vida a transformar um ‘não’ num ‘talvez’, uma rejeição numa epopeia e a insistência numa profissão… corre o risco de ficar eternamente no cais. À espera de uma barca que nunca foi chamada para si.”
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