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Big Brother repreende concorrentes por excesso de cautela e falta de frontalidade: “Ser assertivo é dizer aquilo que se pensa”

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A Voz do Big Brother Verão interrompeu a rotina da casa para um discurso pouco habitual, criticando o excesso de cautela dos concorrentes e desafiando-os a distinguir sinceridade de falta de educação.

Há um tipo de intervenção que raramente falha em silenciar uma sala cheia de concorrentes: quando é a própria Voz do Big Brother Verão a tomar a palavra. Foi o que aconteceu na emissão de ontem, quando a entidade interrompeu a rotina da casa para dirigir um discurso pouco habitual ao grupo, desta vez não sobre estratégias de jogo ou conflitos entre colegas, mas sobre um problema mais subtil: a forma como os concorrentes têm vindo a comunicar entre si e repreendeu-os pela falta de autenticidade que têm vindo a demonstar.

A Voz soberana começou por destacar que os concorrentes têm substituído a espontaneidade que se espera de um reality show pos uma postura politicamente correta, que não é o esperado no reality show: “Permitam-me agradecer aos engenheiros do entretenimento, toda a arquitetura que estão a fazer sobre o meu programa. Vou pedir ao João que regresse ao seu lugar. E deixem-me dar-vos aqui uma ligeira opinião sobre tudo o que tenho a ouvir da minha casa. Primeiro, acho fantástico que vocês sejam mais preocupados com as dinâmicas e com as técnicas e sobre as formas de fundo do que é que o programa quer e o que é que os espectadores estão à espera, em vez de estarem preocupados em mostrarem quem são, darem a vossa opinião e serem pessoas reais, uma vez que até estamos num reality show.”

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A Voz avançou depois para um segundo alvo, a hierarquia de egos instalada dentro da casa, onde alguns concorrentes se sentiriam indispensáveis e outros dispensáveis: “E a ideia é essa, é vermos quem vocês são em vez de vocês estarem preocupados sobre a arquitetura de fundo dos programas de televisão e a génese do que é que é o entretenimento. Deixe-me dizer-vos outra coisa. Acho fantástico que uns achem que são a última bebida do deserto e outros acham que são apenas um grão de areia. Nivelem-se, foram todos vocês selecionados para estar aqui.”

Mas foi ao terceiro ponto do discurso que a Voz dedicou a maior parte da sua atenção, e talvez o seu momento mais bem-humorado, a tendência generalizada dos concorrentes para suavizar qualquer opinião com uma longa introdução de ressalvas antes de irem ao que interessa, o anfitrião da casa mais vigiada do país enão escondeu o cansaço perante esta postura: “Há, no entanto, uma coisa extraordinária. Hoje, ainda hoje, ouvi várias vezes, nesta dinâmica e fora delas, as frases que começam sempre com não me leves a mal, sabes que eu gosto de ti, mas, olha, não me leves a mal a dizer isto, permite-me só dizer isto, deixem-me só acrescentar este pequeno pormenor e não ganho espaço na minha cómoda para guardar tantos paninhos, ainda por cima quentes, que pode fazer mal a madeira.”

Foi precisamente a partir desta imagem dos “paninhos quentes” que o discurso ganhou o seu tom mais firme, com a Voz a desafiar diretamente a lógica por trás desta cautela excessiva, questionando se os concorrentes não estariam a confundir dois conceitos bem distintos: “Encher o discurso de paninhos quentes não torna a mensagem mais respeitosa. Até vos vou dizer uma coisa, não me digam, às vezes torna a vossa mensagem ainda mais confusa. Vocês acham mesmo que ser direto é ser ofensivo? Acham mesmo que ser frontal é ser agressivo? Ou estamos só a confundir sinceridade com falta de educação?”

Para tornar a sua argumentação ainda mais concreta, a Voz recuperou o exemplo das dinâmicas de nomeação, frequentemente alvo de hesitação por parte dos concorrentes com receio de ferir suscetibilidades, e explicou a lógica por trás deste tipo de perguntas: “Eu, quando vos peço, digam-me quem é o mais preguiçoso ou o mais irritante, eu não estou a pedir para definirem o caráter do outro. Eu não estou a dizer, digam-me quem é o preguiçoso. Não estou a pedir para me dizer quem é o irritante. Quem é o mais preguiçoso? E o mais pode ser, mas cabe de 0 a 100, 10% preguiçoso, mas se os outros 40% ou 18%, é ele, o mais. Não o tornam preguiçoso, tornam-o o mais preguiçoso neste grupo, neste dia, neste momento. E esta é a vossa opinião.”

A Voz rematou com um conselho aos concorrentes: “Ser assertivo é dizer aquilo que se pensa, olha, da pessoa nos olhos, com respeito e sem rodeios. Isso poupa tempo, evita mal-entendidos e mostra maturidade.”

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