Pedro Chagas Freitas deixa reflexão sobre a onda de ódio contra os três concorrentes do Secret Story e deixa um forte apelo pela coerência e pela empatia, porque hoje são Diogo, Eva e Ariana que estão debaixo do escrutínio do público, mas amanhã não sabemos se não é alguém que nos é próximo.
A onda de críticas contra os três concorrentes do trio amoroso do Secret Story 10 – Eva, Diogo e Ariana, não dá tréguas e tem-se intensificado de dia para dia, com Ariana e Diogo a concentrarem a maior parte dos ataques dos fãs do reality show.
Pedro Chagas Freitas, que já tinha reagido à polémica na semana passada, voltou a fazer-se ouvir e desta vez para se posicionar-se claramente contra a onda de ódio que se tem instalado em torno dos três jovens, com uma reflexão que está a dar que falar.
O escritor começou por destacar que os três erraram, de uma forma ou de outra, mas de maneira nenhuma podem ser alvos do ‘ataque’ de ódio que se está a ver nas redes sociais: “Três jovens entram num reality show. Erram muito, erram à frente de todos, erram como nunca vimos, erram como loucos, mostram problemas, falhas graves: é a falta de carácter para um; é a falta de autoestima para outra; é a falta de sororidade para outra. Recebem o vício que nos liberta das nossas próprias frustrações: julgamento primário. São descartáveis, atacáveis, reduzidos à ofensa miserável.”
Chagas Freitas identificou o que está verdadeiramente em jogo nesta dinâmica, não a procura de justiça, mas um prazer coletivo na destruição do outro, que pouco tem a ver com os erros cometidos pelos três jovens: “O espetáculo pede sangue. Há uma espécie de prazer coletivo ao assistir à queda, ao apontar o dedo, ao escrever comentários definitivos. Não sei se algum dos que querem assassinar o carácter deles tem moral para isso. Todos nós já fizemos merda — a sorte é que ninguém estava a filmar.”
O escritor salientou de seguida que não está aplaudir as atitudes que o trio teve na casa, mas também não pode aplaudir a onda de ódio que se gerou e o crucificar dos três concorrentes: “Não estou a dizer que se deva aplaudir. Não estou a dizer que se deva normalizar. Entre não aprovar e crucificar, vai uma distância enorme. Essa distância desapareceu.”
Com a honestidade e simplicidade que lhe é conhecida, o escritor deixa uma reflexão, que deixa claro que hoje é a Ariana, a Eva e o Diogo, mas podia ser um dos nossos filhos, um familiar, um amigo próximo: “Temos de perguntar com honestidade: E se fosse o meu filho? E se fosse a minha neta? E se fosse eu, com vinte anos, exposto, sem filtro, sem tempo para pensar, sem direito ao esquecimento? Quantos de nós sobreviveríamos a esse escrutínio? Eu acho que poucos. Talvez nenhum.”
O escritor rematou com um apelo à coerência e a empatia, que parece estar cada vez mais escassas para aqueles que se escondem atrás de um ecrã para apontar o dedo ao outro: “Passamos a vida a falar de empatia; praticámo-la pouco. Pedimos compreensão ao outro; damos-lhe sentenças instantâneas. Estas três pessoas não precisam que concordemos com elas. Precisam de não ser destruídas. Podemos criticar, discordar. Não me parece que possamos matar. Isto não pode ser uma execução. Amanhã pode não ser a Eva, pode não ser a Ariana, pode não ser o Diogo. Amanhã pode ser alguém muito mais próximo. Ou tu.”
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